Mexa-se: a atividade física moderada é positiva
28/8/2008 20:28
Portal Gaucher
O paciente de Doença de Gaucher Tipo I não precisa levar uma vida sedentária. Movimentar-se é bom para a saúde física e mental. Leia a seguir as orientações do professor de educação física Ítallo Vilardo, faixa preta em jiu jitsu e especializado em preparação física e alto rendimento, que vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Foto: Phaedra Wilkinson
Lembre-se de que essas são recomendações gerais. É preciso fazer uma consulta com um profissional capacitado a avaliar as suas condições individuais, antes de iniciar qualquer programa de atividade física. Converse também com o seu médico. “As cautelas são individuais, variam de pessoa para pessoa, daí a importância do acompanhamento de um profissional da área”, explica Ítallo.
PARA QUEM SENTE FADIGA
Pacientes que apresentam somente fadiga podem fazer uma atividade de baixo gasto energético, como caminhada leve ou musculação controlada. “Nos aparelhos de musculação, por exemplo, se o paciente tiver propensão a hemorragias, é recomendado que tenha cuidado com pesos soltos e aparelhos que exijam equilíbrio pois, se a pessoa perder o equilíbrio, poderá cair ou esbarrar nos aparelhos e se machucar”, afirma Ítallo, alertando mais uma vez para a importância do acompanhamento de um profissional.
DORES ÓSSEAS
A caminhada leve e a musculação também são recomendadas para pacientes com dores nos ossos, pois o pequeno impacto gerado nesses exercícios ajudaria a um fortalecimento do tecido ósseo, através da renovação de suas células. Pacientes que apresentam fraturas espontâneas, contudo, devem evitar o impacto desse tipo de exercícios. Nesse caso, é mais seguro fazer hidroginástica, que não tem praticamente nenhum impacto (mas não permite a renovação do tecido celular).
BENEFÍCIOS GERAIS
A prática da atividade física, seja ela qual for e pelo tempo que durar, gera a produção de hormônios, tais como a endorfina (produzida na hipófise). Esta é considerada um analgésico natural, que regula a emoção e a percepção da dor. Isso ajuda o paciente a relaxar, gerando bem-estar e reduzindo o estresse e a ansiedade. Até mesmo para pacientes com depressão a atividade física é recomendada.
Os exercícios trazem benefícios variados, entre eles: manutenção da postura, melhora no sono, aumento do tônus muscular e redução de peso (gordura). Esses benefícios somados acabam gerando uma grande melhora na qualidade de vida. Portanto, não esqueça: é melhor caminhar dez minutos por dia, na calçada do seu prédio, do que não caminhar nada. Sempre é tempo de começar ou recomeçar. Faça o que for possível, de acordo com a sua realidade, e vá aumentando aos poucos.
CUIDADOS A TOMAR
- Em hipótese alguma pratique exercícios sem orientação prévia e sem a supervisão de um profissional da área. O profissional, através de entrevista, indicará a atividade mais adequada e a sua duração ideal. Em seguida, acompanhará a evolução e poderá sugerir novas medidas. Converse também com o médico que o acompanha.
- Vista roupas adequadas (tênis com meias e cadarços amarrados, short e camisa).
- Esteja bem alimentado antes da atividade física e respeite sempre os limites do corpo, as pausas e os tempos de descanso. Mantenha-se hidratado durante a atividade.
- Para praticantes de hidroginástica: use uma sapatilha especial para evitar o risco de cortes provocados pelos azulejos.
“A hidroginástica pode ser feita todos os dias, e não existe motivo para que os pacientes façam as aulas em separado. Eles podem estar em grupos também nas demais atividades, como musculação, ginástica e caminhada, desde que recebam o acompanhamento de um profissional”.
* O professor Ítallo Vilardo pode ser contactado pelo e-mail itallovilardo@yahoo.com.br ou pelo telefone (21) 7896-8880 (Rio de Janeiro).
Reportagem: Heliete Vaitsma