Psicologia a favor dos portadores de Doença de Gaucher
16/10/2008 22:08
portal gaucher
Varienka Leão fala sobre ansiedade de pacientes
Por ser uma doença rara, Gaucher desperta uma série de dúvidas entre pacientes e familiares que podem ser melhor resolvidas se o tratamento incluir o acompanhamento psicológico como parte de um trabalho interdisciplinar. Esse é o alerta de Varienka Leão Bulcão, psicóloga de portadores de doenças genéticas. Segundo ela, o apoio terapêutico deve começar no momento do diagnóstico, pois muitos dos medos são oriundos de desinformação. “Sentar com paciente e ouvir suas ansiedades é fundamental. Ao conhecer as necessidades primárias de cada um, o terapeuta em parceria com o médico pode contribuir reforçando o processo informativo, desfazendo mitos e amenizando o impacto da nova vida”, esclarece.
Varienka observa que os cuidados psicológicos colaboram para a qualidade de vida do portador e para incentivar a adesão ao tratamento. “A doença do tipo 1 não impõe maiores limitações de ordem emocional ao paciente, mas ainda causa uma aflição inicial, principalmente quando não se tem muito conhecimento sobre o problema”, completa.
Varienka acrescenta que a terapia em grupo está entre as mais indicadas para os portadores de doenças crônicas, como Gaucher. “O melhor é que a troca de experiências seja promovida para portadores da mesma patologia e faixa etária”, orienta. A especialista ainda reforça que o ambiente do paciente deve ter uma atenção especial. Para Varienka, a família pode precisar de ajuda psicológica para aliviar suas próprias tensões e refletir otimismo em relação ao tratamento.
“Em geral, as questões relacionadas à saúde trazem ansiedade, principalmente quando se trata de uma doença crônica. Nesse caso, o papel da terapia é realizar a escuta do paciente e no caso das crianças portadoras, os pais podem ser orientados para lidar com essa questão e até saber proporcionar condições emocionais para refletir o bem-estar do filho”, orienta.
Varienka enfatiza que o psicólogo deve se inteirar sobre as características e a evolução da doença para poder atender os portadores. “Quanto mais se sabe sobre o problema, melhor é para o profissional intervir junto ao paciente. O aprimoramento e domínio da informação transmitem mais confiança e favorecem o vinculo terapêutico.”
Diante da sua experiência, a psicóloga também dá uma dica sobre os benefícios da integração entre os profissionais de saúde. “É também relevante o acompanhamento multidisciplinar, conforme é feito na associação onde eu trabalho, porque o psicólogo tem um diálogo com os demais profissionais. No caso específico de Doença de Gaucher, nosso trabalho é interdisciplinar e envolve principalmente o médico e o psicólogo. Somando os saberes, conseguimos intervir em prol do nosso paciente, percebendo este portador como um indivíduo inteiro, e considerando a interação dos aspectos físicos e emocionais”, salienta ela, que é ligada à Associação Cearense de Doenças Genéticas (ACDG).